Jardim da universidade

Jardim da universidade

Ela se senta calmamente na grama, na terra
E retira, ao acaso, uma ou duas plantas
O vento torna tudo mais bonito
Mas, ela não sabe

Ela se senta calmamente na grama, na terra
E ela está de vestido
Nenhum detalhe me passa desapercebido
Ela é como um presente do acaso
Uma oferenda à Gaia

Sozinha, distraída, ela canta
Mas não sorri
Sua voz séria e pesada contrasta
Com sua fisionomia leve e despreocupada

Me inquieto
Meu desejo me trai
Meu corpo se expande
Eu sou a terra
Eu a acompanho em seu sentar
Mesmo distante, andando

Então, tudo já é passado
A garota e seu vestido vermelho já não existem mais
Um lapso, um surto, um grito surdo, um desejo contido
E já alcanço o restaurante

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Do chão

Do chão

Em baixo da cama
O sangue não escorre
O meu

Meio litro mais
de álcool
Puro
E letras afiadas como o metal
Desse canivete
Com o qual marco pequenas faixas vermelhas
Na minha perna
Não escorrem
Nunca chegarão
A você

You lied
You lied to me
Diz a canção
A qual não ouço
Pois estou meio louco

A noite acabará
E o amanhã chegará
Também, a dor passará
Rápido, tão rápido, querida
Mas essas letras, eternas, ficarão
Pra posteridade
E mostrarão o que você não quis
O que você não fez
O que você evitou
Do que você desviou

As letras não mentem, como você
As minhas, não
As minhas letras são afiadas
Como o metal desse canivete
Que abre pequenos desenhos rubros
Na minha pele
Por ninguém

As minhas letras não mentem
Não escondem minha dor
De ser afastado
De ser enganado
Se ser posto de lado
E elas ficarão, pra sempre
Pra você ver
Você verá


(http://naopublicados.wordpress.com/2013/04/29/do-chao/)

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Centésima fuga

Centésima fuga

Os meus dedos, esses mesmos, que te tocaram
e aplicaram em você um ritmo pulsante de felicidades e risos noturnos
são os que agora te empurram para o esquecimento

Os meus dedos, esses com os quais se divertiu tanto, você,
esses sagrados dedos, dez
esses que estão na minha frente, semi-iluminados,
gelados pelo vento forçado de um ventilador noturno,
esses meus dedos sozinhos e úmidos agora te matam
te matam… ou tentam… tentam.

Não quero mais o vazio ensandecedor do branco da tua alma
Não quero mais as linhas retas e sem sentido dos seus pensamentos
Não quero as lágrimas que você me dá de presente
Não quero estar dentro do teu corpo azul
Dentro do qual nunca estive

Eu, agora, com esses dedos, fujo
Da dor que você emana
Da escuridão que é sua ausência
Do vazio tardio, da insônia noturna
Do seu branco, seu azul
Da sua presença vazia
Das suas palavras pesadas
Da tortura do seu silêncio
Da prisão que é seu corpo

Eu fujo te trancando num passado indecifrável
Encriptado
Eu fujo em vão pra lugar nenhum,
continuo no mesmo lugar,
E você na clausura do esquecimento

Eu continuo no mesmo lugar
E rezo, agora, de joelhos
pra que eu nunca mais precise ver sua face
pra que minhas palavras não apareçam mais no teu livro
Eu fujo e eu rezo, em vão
Eu faço tudo em vão
Pois não tenho alma

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Novo blog

Eu dei uma enjoada do Tumblr então eu to publicando coisas novas no novo blog http://naopublicados.wordpress.com/ . Isso não quer dizer que eu não vou mais publicar aqui, mas só vale a pena publicar coisas “bonitinhas” no tumblr e, atualmente, eu só ando escrevendo coisas não comuns. Bem, é isso. :)

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Coágulo

1/1/2012 – 6:24

Coágulo

O retrato que eu tenho de você, não tenho
Só guardo íntimo em meu ser

De tudo o que eu queria só uma coisa:
Você, gêmeo, alma, suicídio

Do amor que me falta, no tempo moderno
Cento e vinte por cento está com você

E de tudo que eu não vivi
Minha vida está aí

Me traga de volta, a verdade
A veracidade do Bem em que não acredito

Me diga seu nome, me mostre seus dedos
Me indique o caminho, não me deixe mais…

Em todas as estradas, avenidas, passagens
Pontes e passarelas que eu passo, passei
Só a mínima lembrança da sua voz
Me fez querer

A cada quatro segundos eu penso
E a cada dois dias eu morro
E a cada mês eu te imploro
Pra cada ano passar mais rápido

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Givin’

1/11/2011 – 4:29

Givin’

Do alto de uma torre
Sozinha em um sábado qualquer
Seus dedos tocam suavemente o vidro
E veem as gostas escorrerem lentamente
Cada gota do tempo que ela acha perdido
Cada gota de lágrimas não escorridas
Ela está apenas só

E não um “só” comum
Não há luzes para acompanhar seu martírio
Nem tudo é um palco de teatro
Não há um diário para ser lido
Não há poesias para compartilhar
E nem sonhos para sonhar

Ela só tem o tempo
Seu próprio tempo como companheiro
E é nele que se lança, nos braços desse
Misterioso senhor que nos vigia as costas
Ela só tem o tempo para brindar
Para dançar e sonhar seus sonhos cegos
Sem cores, sem força, sem voz
Sonhos tão fracos que não escapam da mente

Sozinha, no alto de uma torre
Sem saltos, sem maquiagem
Ela se prepara para mais um ritual
De incrível pureza da existência
Elas lança sua mente pela janela
E absorve com o corpo
Todo o tempo disponível para se gozar
O tempo é seu namorado

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Falta

30/11/2011 – 5:06

Falta

Onde estão meus novos amigos?
Perdidos em sonhos que eu nunca poderei alcançar
Ou serei eu o perdido
Em um mar de eterna fúria?

Onde está minha nova fé?
Por que eu não consigo alcançá-la?
Fui eu que me perdi nos meus pensamentos
Ou foi ela que me abandonou na curva do caminho?

Onde estão todos os que me fortaleciam?
Meus símbolos, minhas armas, meus objetos favoritos
Meus jardins e castelos imaginários
Todos os itens da minha alma doente?

Onde está o grito de clamor que eu ouvia ecoar do meu ser?
Onde está a perna firme pra andar
E o braço forte pra remar?

Onde está a doçura dos seus lábios?

Meu mundo, meu olho, meus pensamentos
Minhas cores espalhadas pelo vento
Tudo isso se foi e ficou
Em alguma esquina do passado
E eu, agora, não sou nada mais que um livro branco
Uma página nova pronta a começar
Uma nova aventura de verão
Eu sou algo que não sei, que não entendo
Algo nunca antes visto
Uma carta branca
Um tiro no escuro
Eu sou o que escolheram me chamar
Eu sou o que os caminhos fazem de mim
Eu não sou nada mais nada menos que um garoto
Numa cidade nova
Com um passado inexistente
Eu sou toda a vontade de sonhar
Um filme a terminar…

Me dê uma chance de me desenhar
De me inventar e fingir que sou o que não sou
Pois, aqui, o que é e o que não é?
Quem é e quem não é?
Quem ama e quem não ama?
Não há respostas… Não há!
Só há questões e páginas em branco
Só há o mundo das minhas mãos
Só há o que há no olhar
Só há o que dá pra sonhar

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Céu cinza

30/11/2011 – 4:46

Céu cinza

Você me machucou onde ninguém mais conseguiria
Me feriu fundo, profundamente, arrancou-me o “ser”
Me tirou de mim, me fez louco
Me quis morto, me trucidou a vontade
Me dizimou, lixou, roubou de mim os sonhos
E o brilho no olhar

Você só me trouxe traumas e cicatrizes
E me fez incapaz de andar
Me deu um tiro nas costas
Me sugou a paz interna
Me marcou, me fez chorar

E, depois de tudo, depois de tentar sobreviver
Eu tento, aos poucos, lhe dizer adeus
Me livrar da rede cruel em que me prender
E, aos poucos, eu me vejo indo
Já não é mais possível continuar
Já não me é mais dado te amar
Já te dei tudo de mim
E, sem nada mais, vou-me
Para longe de ti
Começar uma vida nova
E cultivar novos sonhos onde você não os possa pisar

Vou-me, com a tristeza nos olhos
Pensando no atraso de vida que foi ter-me entregado aos seus braços
E desperdiçado minha fé em você
E todos os abraços de esperança
Eu esperava, realmente, somente que você me amasse de volta
Eu esperava apenas a sua compreensão
Seu braço amigo, um pouco de amor
Eu só não esperava isso, o agora

Vou-me, vida nova
Novos tempos, queixo baixo
Cenho abatido
Vou-me para uma vida nova
Longe de você
E peço, e rezo, para que sua face monstro desapareça das minhas lembranças
Para que não me sobre mais um rastro da sua maldade em meu ser
Vou-me, procurar o que você me negou
Esperando não ser enganado de novo
Vou-me, cego em nova fé

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Agora

19/11/2011 – 2:36

Agora

Não fique aí perdida a noite toda
Ouvindo CDs, vendo filmes
Me dê sua mão e vamos
Unir nossas mentes
Andar sobre montes
E mergulhar profundamente
Na noite que é quente

Me dê, me dê o que eu quero
Ponha sua mão sobre mim
E me faça ir, ir pra sempre
Não só dessa vez, como nunca fui
Como nunca cheguei antes
Em você, em você

Vamos dançar, nos matar
Nos cortar os pedaços
Nos dizer o que ninguém se diz
E nos ferir eternamente para nos marcarmos

Vamos beber nosso sangue
Mesclar nossas almas
Subir, subir
Tão alto que nunca mais poderemos voltar

Vamos sentir medo de tudo
E nos arrepender amargamente depois
Vamos fazer isso aqui, agora

Vamos nos manchar de sangue
Por agora, por toda a eternidade
Algo que nunca poderá ser apagado
Algo só entre mim e você

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Noite sui.

16/11/2011 – 5:06

Noite sui.

O mundo que eu toco não é aquele em que acredito
O mundo que me toca não é aquele no qual vivo
Nada do que quero tenho
Nada do que tenho quero
E tudo me foge das mãos
Fora de controle
Descontroladamente triste
Em um ar de desespero
Na demanda da sociedade na qual vivo…

E não há vida que me encaixe
E não há espera que me agrade
E não há futuro que me dê esperanças
E nada do que eu vivo parece valer a pena
Então, tudo, tudo, eu me arrasto
Tudo, tudo, me agride
Tudo me é apenas vinagre
E as lágrimas são ternas companheiras

Por que você não vem?
Por que não me ajuda?
Por que não me tira da solidão?
Meu bem…
Eu queria ter um por cento da sua alma novamente
Em meus braços… Em meu peito, e tudo seria certo
Tudo seria plausível, tudo seria acreditável
Pois, então, só me falta o seu amor

O fim é só o recomeço
E a morte é só um risco
Risco alto no qual eu quero me lançar
No qual eu me lanço mentalmente toda noite
Para o qual eu aponto minhas preces e esperanças
A morte e seu misterioso véu
Aquilo que me separa do que eu sei
Aquilo que me espera
Me aguarde

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Shout

30/10/2011 – 4:18

Shout

Minha mão cheia de sangue contempla
O vazio do meu ser
Por que desci tão baixo?
Por que meu Deus? Meus santos?
Onde estava a minha… fé?

E tudo o que fiz sofrer
Nunca perdoei
No sorriso sarcástico do monstro
Que eu fui… que eu fui

Onde estava minha fé, Senhor?
Na lâmina da espada que cortava
E me sugava pra um destino tão… cruel

Agora, permaneça aí
No seu castelo imaginário
Protegendo-se do nada, do impossível
Do inimaginável
Meu ser, meu ser

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O olhar dela é para o outro

29/10/2011 – 5:49

O olhar dela é para o outro

Quando não se tem, o belo
O externo, o fora
Só tem aquilo que é quente
A verdade, o ser…

As limitações e as barreiras
São o que nos fazem lapidar
O que nos é mais belo e só pode ser visto
Pelos olhos de quem sabe…
De quem quebrou a barreira das ilusões

E na mais extrema escuridão do meu ser
Aquela que é minha luz aumenta
Com a tristeza de um mundo limitado
E o olhar de desprezo de quem amo
Porque é apenas assim que tudo funciona
E que as coisas mais belas surgem

Não é amor, não é ódio
É apenas o futuro do nosso ser
Meu amor, me espere
É apenas seus olhos que eu quero
E, de uma forma ou de outra,
É para eles que eu caminho e me resguardo
Fora de todo um mundo de perdições
Preso na minha mente, no meu quarto, no meu corpo
Nas minhas formas e desejos tortos

Meu amor,
Te espero

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In

16/10/2011 – …

In

Sem alma, futuro, garoto
O mundo se encerra a cada novo embate
Com as regras que me arrastam no asfalto quente
Como um murro na minha mente, personalidades
Tudo já são cacos de vidro quebrados
E folhas secas em um quadrado apertado

E se tudo que eu quisesse já não existisse mais?
E se de repente surgisse em mim o perdedor máximo
E nenhum motivo mais me segurasse?
E se minhas preces não atendidas se acumulassem?
E se o tempo já fosse só um carrasco?
E todas as sementes da vida desperdiçadas
Ainda assim você me censuraria?
Mesmo sem voz nenhuma, sem cores
E sem todas as vontades
Um puro azedo
Desprazeroso
Até quando você me amaria?

E se eu fosse o protagonista
De um show de horrores?
E se eu me arrastasse de verdade
Como um verme e sorvesse minha própria saliva
Do chão sujo pra tentar combater o vazio?
E se todas minhas tentativas
Todas elas, todas, todas
Tivessem sido em vão?
E se eu não tivesse tido a força suficiente?
A força que dizem ser necessária
A força, a vida, a força para caminhar
E se eu estivesse apenas doente?
Mesmo assim eu teria culpa?
Sem ajuda, assim, jogado, abandonado
No lixo da minha mente doente absurdamente
Ridícula

E se no fundo todos já soubessem
Quando olhassem os traços profundos no meu rosto?
A minha própria postura, o meu modo de falar
Mesmo assim seria um absurdo?
Mesmo assim seria abandonado aos vermes?
E gritaria por cem anos seguidos dentro da minha própria cova?

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A Estrela

Um dos meus poemas favoritos.

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Manuel Badeira

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